Noventa minutos. Esse é o tempo no qual a conexão de internet oferecida no café irá durar antes que precise ser renovada. Não que exista o interesse nisso ou a vontade de permanecer mais tempo.

Um total de cinco mil e quatrocentos segundos. Se cada segundo fosse uma eternidade em si, quantas eternidades poderiam ser vividas de verdade nesse período? Tempo suficiente para viver, tempo suficiente para morrer. Para sorrir ou chorar, sofrer ou comemorar.

Centenas de palavras podem ser escritas, mas milhares podem jamais serem lançadas ao vento nesse tempo. E o que acontece com elas? As expelidas ganham seu caminho, fluem através do espaço, atingindo ou não quem deveriam ou a quem eram intencionadas.

Já as guardadas são comprimidas, como aquela peça de roupa que você aperta em uma gaveta cheia de itens com a intenção de que ali ela permaneça. Mas o que acontece quando se colocam corpos demais em um espaço restrito? Cria-se uma pressão que aos poucos vai sendo exercida contra as paredes do ambiente até que em dado momento sua força seja maior do que aquilo que a restringe.

Assim são as palavras. Por si elas tem em seu comportamento a necessidade de voar. Aprisionadas e acumuladas elas tentarão fugir. Pressionando e sufocando aquilo ou quem as prende e então em uma mísera fração de segundo ganham a liberdade desejada.