“As estradas que caminhamos tem demônios abaixo”

Nem sempre.

Eu diria que eles não estão sob o pavimento.

As vezes estão atrás, nos quilômetros do passado, porém não imóveis e sim na mesma jornada. Se aproximando lentamente tal qual uma sombra, fiel, que nunca some e que altera seu tamanho conforme a luz incide sobre nós.

E tememos as sombras em um instinto natural de sobrevivência que nos guiou até aqui através da evolução. Esse receio nos tornava mais alertas, mais atentos ao perigo que ali habitava e que poderia nos ferir.

Assim projetamos nelas aquilo que não conseguimos ver, o que desejamos esquecer. O principal sentido que nos baseamos é a visão e como dizem “o que os olhos não veem, o coração não sente”.

Ou não deveria sentir.

Digamos que os demônios da estrada estejam na sombra que nos segue durante nossa caminhada. Quem diz que eles sempre estarão atrás, esquecidos, além de nossa visão?

Não, as sombras fluem conforme a luz incide sobre o ser ou o objeto que as projetam. E elas o fazem em oposto a isso. Se a luz vier pela frente, atrás elas estarão. Mas ao longo do tempo, as posições se invertem e, por trás surge a luz que à nossa frente a sombra cria.

E ai os demônios retornam.

Na surpresa, uma luz traseira ilumina o caminho e então estamos de frente com aquilo que escondemos ou que tentamos esquecer. As dores, as tristezas, feridas que não cicatrizaram que ainda carregam consigo as infecções e inflamações não tratadas.

E então seus outros sentidos avisam seu cérebro e os neurotransmissores entram em ação. Seu corpo vai para um estado de alerta ante o perigo e se prepara contra aquilo que irá enfrentar.

Mas é uma luta que talvez não precisasse ser travada se fosse feito algo que poucos fazem: conversar com seus demônios.

Porém você quer ou será que eles querem?